Snowden – Heroi ou Traidor (2016)

14 - 11 - 2016 / Gabriel Cardoso Bom

Título original: Snowden
País de origem:
Estados Unidos, França e Alemanha
Gênero:
Cinebiografia
Duração:
134 minutos
Distribuidora:
Disney
Direção:
Oliver Stone
Roteiro:
Kieran Fitzgerald e Oliver Stone
Elenco:
Joseph Gordon-Levitt, Shailene Woodley, Melissa Leo, Zachary Quinto, Rhys Ifans, Nicolas Cage, Tom Wilkinson, Joely Richardson e Timothy Olyphant.

Olá, pessoal. Adiciono hoje mais uma categoria de textos no nosso blog/site/projeto, que é O Longa das Aulas. Uma categoria de textos sobre como utilizar alguns filmes – ou as problemáticas levantadas por esse filme. Hoje, iniciaremos com uma produção que ainda está em cartaz: Snowden – Heroi ou Traidor.

Começo o texto com uma pequena apresentação ao filme já feita no site DELFOS (aliás, recomendo bastante o site deles):

“A não ser que você tenha passado os últimos anos com a cabeça enterrada na areia, você deve saber quem é Edward Snowden. Mas, para os híbridos entre humano e avestruz que vivem por aí, eu explico: trata-se de um ex-analista da CIA e da ASN (ou NSA, se preferir) que entregou para a imprensa um monte de documentos sigilosos e botou a boca no trombone, denunciando aquilo que todo mundo já sabia: que as agências de inteligência estadunidenses estão espionando ciberneticamente todo mundo, de suspeitos de terrorismo, passando por seus próprios cidadãos.

[…]

Agora sim, passemos ao prato principal. Snowden – Herói ou Traidor, diferente de cinebiografias mais tradicionais, foca-se num período de tempo muito mais específico. No caso, os nove anos que ele passou trabalhando para agências de inteligência estadunidenses ou empresas privadas com laços com essas ditas agências.

Vemos da primeira vez que se inscreveu para um emprego de analista para a CIA até o momento em que ele rouba informações confidenciais e as entrega a jornalistas, botando a boca no trombone e denunciando as muitas infrações que tais agências estavam tomando com as liberdades civis e a privacidade alheia.”

Originalmente aqui.

Pois bem. Para além de uma classificação do filme em ‘bom’ ou ‘ruim’ – e, nessa classificação, eu tendo a concordar com o artigo linkado acima – o que nos interessa aqui é a utilização política e histórica do filme.

O caso de Edward Snowden é extremamente emblemático de vários processos históricos que ainda nos influenciam hoje em dia. Tentando fazer uma “história do tempo presente”, podemos pensar em alguns dados que o filme levanta e que, se não contextualizados devidamente, podem levar o espectador a se identificar de uma maneira rasa com o cinema panfletário já característico de Oliver Stone. E essa é a primeira crítica, que apresentarei logo após elencar alguns elementos interessantes:

  • A discussão da política interna americana extremamente dualista. O conflito secundário e panorâmico de Snowden com Lindsay que percorre toda a trama é um conflito básico da sociedade americana: republicanos contra democratas. Ela também perpassa a carreira de Snowden, quando o mesmo opta por voltar à CIA após a vitória de Barack Obama.
  • O caráter das leis anti-terrorismo dos EUA. Após o 11 de Setembro, durante a gestão de George W. Bush, os EUA começaram uma série de medidas contra o terrorismo que muitas vezes foi analisada diante do prisma de que atacavam as liberdades civis dos americanos.
  • A grande distância entre a lei americana e a lei americana para o mundo. Muitas vezes o questionamento de Edward Snowden vinha seguido de um “mas nós fazemos isso até com cidadãos americanos?!”.
  • O caráter paradigmático de um evento histórico. Como em um pequeno artigo eu não conseguiria desenvolver essa discussão proposta de uma maneira tão boa, fica apenas o comentário: seria o vídeo de Snowden lançado um evento histórico de mudança? Oliver Stone parte do princípio de que, sim, é um evento de mudança e ruptura histórica; porém, fica difícil analisar isso apenas três ou quatro anos depois do evento. Nós entendemos que o 11 de setembro teve um caráter de mudança no mundo, mas será que em 2003 nós tínhamos noção do tamanho dessa mudança?

O filme mostra Edward Snowden como um heroi. Um heroi com uma voz bizarra – não curti particularmente a atuação do Joseph Gordon -, mas mesmo assim, um heroi libertário que mostrou para o mundo as maldades que a CIA e a NSA estavam cometendo. E também o quanto essas maldades afetaram a vida do pobre Snowden.

Eu particularmente gosto da figura e da atitude do Ed Snowden. Mostrar pro mundo a influência e o poder que os EUA têm na vida particular de todos nós é algo louvável, ainda mais quando isso acaba caindo no fato de que, ao fazê-lo, você deixa tudo para trás: família, segurança, estabilidade financeira. Porém o caráter extremamente panfletário do filme pode ser um empecilho para utilizá-lo em sala de aula: não por problemas como “Escola Sem Partido”, mas pelo quão esse discurso se torna raso.

Por isso mesmo, acredito ser um bom filme pra ser utilizado em sala de aula. Além de apresentar factualmente os acontecimentos desde 2004, a discussão sobre o discurso que o diretor se utiliza é essencial. Desenvolver em sala de aula a capacidade de encontrar o discurso nos meios de comunicação já é meio caminho andado pra desenvolver o senso crítico de qualquer cidadão.

Sendo assim, trabalhar os pontos abordados anteriormente, junto com o filme e excertos de outros elementos da mídia do período – jornais conservadores como a Fox News e como eles mostraram, a reação da mídia mundial às revelações de que a CIA e a NSA espionavam chefes de Estado no mundo, a questão do Equador e da Rússia darem abrigo político a Snowden, discursos do Bush e do Obama. Enfim, é uma obra atual, de um assunto atual, que está fervendo em todos os lados. Aposto em alguma redação com o tema num futuro próximo.

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